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A primeira impressão assistindo Legion


Eu nasci pra ter um relacionamento difícil com as séries, ainda mais agora. A gente cresce, fica mais crítico, e não é tudo que aceita, ou não com a mesma facilidade de antes, aí vão entrando na conta as séries que você não consegue mais ver (Agents of Shield), as que têm esperança (24: Legacy, Legends of Tomorrow), as que te fazem sentir otária (Supergirl), e aquelas, que numa expectativa otimista, você adoraria ter dias de 50 horas para assistir (Blindspot, Designated Survivor).

Mas nas brechas abertas eu acabei conseguindo ver ela, a tal da série que não param de falar:

Legion.

Daí eu achei interessante compartilhar minhas impressões, principalmente se você ainda não assiste a série, afinal, dizem que a primeira impressão fica... Vejamos se o clichê é real?


Não é uma série acessível

Graças a Deus. Supergirl começou com potencial e tornou-se uma quase novelinha, porém Legion vai 100% na contramão disso. Na verdade, pela forma como constroem a narrativa a série é tudo, menos acessível, e pode ser um desafio que desanime o fã casual, mas se você gosta de formas diferentes e criativas de contar uma história, pensar fora da caixinha, vai achar coisa para mastigar.

Mas é aquilo: contexto é tudo. Então eu preciso contar uns detalhes.

Legion conta a história de David Haller, filho de Charles Xavier (isso mesmo), que é diagnosticado com esquizofrenia ainda criança, e desde então foi paciente de vários hospitais psiquiátricos. Após encorar uma paciente única, ele passa a considerar a possibilidade da sua doença ser mais do que uma doença... Ele é um mutante, resumindo.

A série é narrada propositalmente pela perspectiva dele, deixando Legion muito confusa, por isso não é algo eu vejo o público casual-apressado assistindo em peso, tipo Game of Thrones ou The Walking Dead. Os episódios não é nada lineares. São muitos cortes de cenas, e apesar de ter me sentido perdida boa parte do tempo, eu entendi que é intencional da produção. Mas eu gosto disso. Então nem posso reclamar.


Edição e fotografia de alto nível

Legion mostra o mutante de forma muito menos glamurosa ou "cool". Para isso a série abusa mesmo da edição das cenas, dando esses mil cortes que eu disse, criando colagens de cenas muito bem feitas, trechos longos, rápidos, trocas de lugares, passado, presente, slow motions aplicados na hora certa dando ão uma sensação até cinematográfica, levando ao outro ponto importante: a fotografia.

Eu gostei muito da fotografia de Legion por isso: tem cara de cinema sem ser cinema. É tudo muito rico em cores, o design anos 60 combinado com elementos modernos, e os tão falados efeitos visuais são realmente bonitos, ilustram bem o poder dos mutantes em ação, mas eu acho que de forma até discreta, sem aquele X-Men: Evolution feelings. Mas foi, acho eu, lá pela metade do episódio que veio uma cena e me deixou pensando: "espera, eu já tive essa sensação antes..."


Quem influenciou Legion

O bom entendedor vai sentir logo o Q psicodélico de Legion. E ele também é proposital, pois como você reforça a forma distorcida de como um personagem com problemas mentais vê a realidade? Usa a referências psicodélicas, umas que até tratam o mesmo assunto: o compositor da trilha da séie, Jeff Russo, se inspirou em Dark Side of the Moon do Pink Floyd. E entre todos os temas o álbum explora a questão das doenças mentais, fruto do estado do guitarrista Syd Barret.

Mas eu lembrei mesmo é de 2001 - Uma Odisseia no Espaço, que eu tive a experiência... Frustrante, de ter assistido numa aula de Filosofia na faculdade. Digo frustrante, pois eu não sei se não é o meu tipo de filme, se a professora não soube tirar proveito positivo, ou se ambos. Mas aquela a atmosfera viajada ficou marcada na minha memória. E acontece do filme ser outra referência de Legion.

Tem A Laranja Mecânica também. Mas esse eu não esperava, confesso.

E mais.

A personagem de Rachel Keller se chama Sydney "Syd" Barret. Ha. 
Aubrey Plaza, a Lenny "Cornflakes" Busker, comentou que se inspirou em nada menos que David Bowie. Ha. (2)

E você bem sabe que eu quase não gosto de coisas com referências, né?


E... Quem diabos é David Haller?

Não posso seguir o texto sem falar de quem faz tudo acontecer. David Haller existe nos quadrinhos e é um cara complicado... Ou 250. Ele é um mutante de múltiplas personalidades, e muitas possuem um poder diferente. Mas nem todas são dele: Haller pode absorver a essência psiônica das pessoas que morrem perto dele, e dada a estrutura particular da mente do rapaz, aí sim elas recebem um poder.

David Haller é considerado o segundo mutante mais poderoso do Universo Marvel, atrás apenas de Franklin Richards, filho de Sue e Reed Richards.

Faça as contas comigo. Haller já:

- Reescreveu a realidade 4 vezes;
- Destruiu os Velhos Deuses com um balançar de mão;
- Escapou do fim de um universo e vagou pelo Limbo;
- Destruiu um exército de Nimrods (os Sentinelas de um futuro alternativo) de novo com um balançar de mão.

Acaba que o nome de "Legião" cai como uma luva mesmo.


Juntando tudo e dando um veredito

O esforço de Legion é muito válido, mas eu insisto: não sei se vã compreender bem. Todo mundo gosta muito de coisas épicas e mastigadas, drama, choque de valor, polêmica... Espero me enganar. Essa série pede atenção e vontade para assistir, mas o potencial existe e é real. Mais do que mostrar um grupo unido contra o mal maior, Legion vai no começo de tudo: antes do mutante ser mutante, ele é gente.

Como é lidar com isso mentalmente, psicologicamente falando?
Aceitar ou não os poderes?
Lutar contra si mesmo ao invés de lutar contra um vilão da cara feia?

Quero dar uma chance a série pela proposta, e pelas referências, claro, mesmo não sendo as minhas favoritas. (exceto pelo álbum do Pink Floyd, que eu gosto bastante) O elenco é diverso, interessante. Há tempos as séries "pesadonas" ficaram de lado, eu vivi do feijão com arroz tranquilo, mas chegou a hora de voltar? Já tenho 24: Legacy, quem sabe Legion entra na roda também.

Ah! Sim, a série é exibida no Brasil, toda quinta-feira à noite no FX, com delay mínimo se comparar aos EUA, pois lá a série vai ao ar toda quarta. Parabéns por isso, FX Brasil. Meus respeitos.

E para você, fica a dica quente.

Sobre Bruna

A loca de todas as coisas. Devota de Céline Dion. Mini Wikipedia de Scarlett Johansson Facts.™ Eu gosto de romances como eu gosto do meu café.

(Eu não tomo café)

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