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Conheça Ava DuVernay, a diretora de Uma Dobra no Tempo


O meu cronograma de especiais para março acabou vacilando na semana passada, mas eu já ajeitei as coisas e vamos voltar a programação normal nessa semana. Não, eu não esqueci da segunda parte do texto de Final Fantasy 15, mas como adiar coisas de Final Fantasy não é novidade pra ninguém... Eu tô perdoada? *risos* Hoje o Cosmo Nerd é um pouco diferente do que você se acostumou a ver, mas ainda assim tá naquela qualidade na medida.

Ava DuVernay. Muito dificilmente você, que mais ou menos informado(a) sobre as notícias atuais, não vai saber quem é diretora, mas se não souber, também não tem problema! Nosso papo é sobre a americana de 45 anos que é uma das diretoras mais faladas e conceituadas da atualidade, a diretora de Uma Dobra no Tempo, da Disney, que estreia nos cinemas brasileiros em 29 de março. Com isso ela se tornou a primeira afro-americana a dirigir um live-action com orçamento na casa dos 3 dígitos - U$ 100 milhões - mas a história da Ava não começa dentro do mundo nerd. Pelo contrário.


O começo da carreira
O primeiro interesse profissional da diretora foi no jornalismo, escolha influenciada por um estágio feito na CBS News, onde ela ajudou na cobertura do julgamento dos assassinados de O.J. Simpson. Mas a Ava acabou se desiludindo com o jornalismo... E eu sei como é isso, risos irônicos. Tem gente que realmente não nasceu pra ser parte da Imprensa Especializada (pfff). Ela então passou a trabalhar como publicitária júnior (aí sim, bem melhor) na Fox, Savoy Pictures, e outras agências, até abrir a própria agência de relações públicas, a The DuVernay Agency em 1999. Ou DVAPR. Chique.

Com a DVAPR ela prestou serviços de RP e marketing a indústria do entretenimento, trabalhando na promoção de filmes como Lumumba, Pequenos Espiões, Shrek 2, O Terminal, Colateral e Dreamgirls - Em Busca de um Sonho.



Chegando ao cinema
Em 2005 Ava DuVernay decidiu pegar seis mil dólares e fazer o seu primeiro filme, o curta Saturday Night Life, que inspirado nas experiências da sua mãe, mostra a viagem de uma mãe solteira (Melissa de Sousa) e seus três filhos. O curta foi exibido em 2007 no programa Black Filmmaker Showcase, do canal Showtime.

Com o tempo, a diretora passou para os documentários, pois eles podem ser feitos com orçamentos menores que os de filmes, e ela ainda poderia aprender o processo de produzir e comercializar essas produções. Em 2007 ela dirigiu o curta Compton in C Minor, e se desafiou a registrar imagens da cidade (que fica em Los Angeles) em apenas duas horas e apresentar o que quer que ela encontrasse. No ano seguinte, Ava fez sua estreia como diretora de documentários com This is the Life, que conta a história do movimento artístico Good Life Cafe, em Los Angeles.


Já em 2011 veio o primeiro filme narrativo, I Will Follow, drama estrelado por Salli Richardson-Whitfield, foi lançado nos cinemas. Inspirado pela tia da diretora, Denise Sexton, o longa teve custo de apenas 50 mi dólares, e foi feito em 14 dias. Roger Ebert, crítico do Chigado Sun Times, disse ter sido "um dos melhores filmes sobre lidar com a morte de um ente querido." I Will Follow foi uma seleção oficial do AFI Fest, Pan-African Film Festival, Urbanworld e Festival Internacional de Cinema de Chicago.


Ainda no mesmo ano foi iniciada a produção do seu segundo filme narrativo, Middle of Nowhere, onde Ava enfim usou um roteiro escrito em 2003 que não recebeu financiamento. A estreia mundial aconteceu em 2012 no Festival Sundance de Cinema, sendo a primeira mulher afro-americana a ganhar o prêmio da competição. Com o mesmo filme ela também ganhou o prêmio Independent Spirit John Cassavetes em 2012.


Mais um trabalho importante seria lançado em 2016: August 28, que conta seis eventos importantes da história afro americana que aconteceram no no dia 28 de agosto. O filme veio como uma comissão do Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana, e teve no elenco Lupita Nyong'o, Don Cheadle, Regina King, David Oyelowo, Angela Bassett, Michael Ealy, Gugu Mbatha-Raw, André Holland e Glynn Turman.

Mas em toda sua carreira, três produções se destacam.


Selma: Uma Luta pela Igualdade
Ava DuVernay dirigiu Selma, filme produzido pela Plan B Entertainment sobre Martin Luther King Jr., Lydon B. Johnson, e as Marchas de Selma a Montgomery, que aconteceram em 1965. O filme foi lançado em 2014 e virou um sucesso da crítica.

Ava reescreveu a maior parte do roteiro original de Paul Webb, dando mais ênfase a King e ao povo de Selma, o que rendeu críticas de historiadores pela "irresponsabilidade em reescrever a história para embutir a sua própria agenda." Como resposta, a diretora falou que "o filme não é um documentário," e que "ela não é uma documentarista, e sim uma contadora de histórias."

(#Burn)

Selma foi indicado ao Oscar 2015 de Melhor Filme e Canção Original, mas não de Melhor Diretor, o que levantou a discussão sobre a falta de diversidade, o momento ficou conhecido nas redes sociais como o #OscarsSoWhite. Selma levou o careca de ouro com a música "Glory," entretanto.



A 13ª Emenda
Continuando seu trabalho em prol da comunidade afro-americana, Ava DuVernay somou forças com a Netflix para dirigir o documentário A 13ª Emenda, anunciado em 2016 no Festival de Cinema de Nova York.

O documentário mostra a relação do sistema judiciário americano com a questão racial. Vale registrar que isso é reforçado pelo título, que vem da emenda presente na Constituição dos EUA que aboliu a escravidão, a menos que fosse como punição por um crime. A produção começa falando sobre 25% da população carcerária no mundo estar nos EUA, e argumenta que na realidade a escravidão ainda é uma realidade, sendo difundida no país pelo encarceramento em massa.

Resultado? Mais um sucesso na carreira da diretora, que novamente foi indicada ao Oscar 2016 de Melhor Documentário, a primeira vez que uma mulher negra consegue o feito. Além do Peabody Award em 2017.



Uma Dobra no Tempo
Não foi com Pantera Negra que Ava estreou como diretora no mundão nerd. As conversas com a Marvel Studios até aconteceram, mas claramente as duas partes tinham ideias diferentes para o filme. Ainda assim, ela não ficou longe por muito tempo: Em 2016 foi anunciado que Ava seria a diretora de Uma Dobra no Tempo, da Disney.

Produzido nos nos trilhos do sucesso de Alice no País das Maravilhas de Tim Burton, o filme tem roteiro de Jennifer Lee e Jeff Stockwell, adaptando a história do livro (de mesmo nome) lançado em 1962 por Madeleine L'Engle.

Uma Dobra no Tempo conta a história de Meg Murry e seu irmão Charles Wallace, que há cinco anos ficaram órfãos de pai, o cientista "Sr. Murry", desde que ele descobriu um novo planeta e usou o conceito conhecido como tesseract (olá, Loki?) para viajar até lá. Junto com o irmão e o colega de classe Calvin O'Keefe, e guiada pelos viajantes astrais conhecidos como Sra. Whatsit, Sra. Who e Mrs. Which, Meg & cia partem em jornada perigosa rumo ao planeta que tem todo mal no universo.

Na data desse Cosmo Nerd o filme ainda não estreou no Brasil, o que só acontece em 29 de março. Lá fora o filme já está em cartas, e tem sido alvo de duras críticas por furos no roteiro e uso pesado de computação gráfica, enquanto elogiado pela diversidade, e o empoderamento feminino.



Televisão
Tá pensando que acabou? Ava também vem deixando sua marca na TV. Começamos em 2010 com o documentário TV One Night Only: Live from the Essence Music Festival, exibido pela TV One no mesmo ano, e pulamos para 2012 com My Mic Sounds Nice: A Truth About Women and Hip Hop.

Mas calma, ainda tem outro: Ava também dirigiu em 2010 o documentário Essence Presents: Faith Through the Storm, sobre duas irmãs negras retomando a vida após o furacão Katrina.

Chique como sempre, a diretora recebeu o pedido da ESPN americana para produzir o documentário Venus Vs., sobre a tenista Venus Williams, e o oitavo episódio da terceira temporada de Scandal. Já em 2015 Ava produziu e dirigiu o piloto da série dramática For Justice, mas a CBS decidiu não levar o projeto adiante, e no mesmo ano ela anunciou que iria produzir a série Queen Sugar, baseada no livro de Natalie Baszile.


A série estreou em 2016 na Oprah Winfrey Network e foi mais um sucesso. Recebida com muitos reviews positivos, a série acompanha a história dos irmaos Nova Bordelon, Charley Bordelon West e Ralph Angel Bordelon, cujas vidas são muito diferentes. Quando eles herdam do pai uma fazenda de 800 acres de cana-de-açúcar, Charley se muda para o interior do Louisiana com o filho adolescente Micah para cuidar da herança.

Atualmente, Queen Sugar foi renovada para terceira temporada. O episódio de estreia vai ao ar no dia 29 de maio.


Resumindo
Eu sei que o texto ficou enorme, mas eu não me arrependo. Por isso eu espero que você tenha gostado de saber mais sobre a Ava DuVernay tanto quanto eu me diverti nessa pesquisa doida. Foi divertido mesmo! A missão do Cosmo Nerd é exatamente essa: Trazer boa informação relacionada ao mundão nerd, com o jeitinho Armadura de falar.

Ava é um ícone da comunidade afro-americana, e mesmo se você nunca viu nenhum dos trabalhos dela, não tem como não admirar uma história tão bonita pela luta criativa, racial e pela igualdade de gênero. Os heróis da ficção podem ser ótimos, e são, mas essas heroínas da vida real merecem tudo e mais um pouco de sucesso e coisas boas. Não é qualquer um que é indicado ao Globo de Ouro, afinal.

Quer conhecer ainda mais e melhor toda carreira da Ava? Recomendo o perfil dela no IMDB. Ainda mais porque a diretora não vai embora tão cedo, pois foi confirmada como capitã de Novos Deuses, filme que vai adaptar o quadrinho da DC Comics. Com todo esse background político/racial, e essa história em mãos... É uma combinação interessante.

Ah! Se você tiver Twitter, ela também tem perfil por lá.

E para encerrar, bora com clipe novo do Jaz-Z cheio das famosidades e dirigido por quem?

Ela mesma.

Sobre Bruna

Descobri o significado da vida quando me tornei uma Mini Wikipedia de Scarlett Johansson Facts.™ Sou entusiasta dos jogos de luta, devota de deus MOV e Lorde Daigo e Senhor. Me xinga de qualquer coisa, mas nunca de "jornalista."Aí dá treta.

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