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O cinema é diversão, mas também é marketing, ideologia e lucro (Parte 2)


Voltamos! Sei que tem uns dias desde quando saiu a primeira parte do Comentando da doidera, e eu obviamente não pretendia demorar esse tempo pra retomar o papo. Entretanto, eu também me enrolei, claro. Eu sempre me enrolo come esses textos mais mastigadinhos, que exigem atenção e cuidado.

Antes de seguir, repito o aviso: a parte 2 só faz sentido se você ler a anterior. O papo começou com o novo filme da Scarlett Johansson e foi atirando pra todos os lados, até política. Motivo? Porque mamilos, eles são muito polêmicos. Simbora então.


O problema de ignorar o juju ruim

Me diga, você ignora juju ruim?

Eu 100% acredito que a arte é uma forma de entreter e discutir temas. A vida de um criativo é isso. Mas tem alguns que é melhor evitar a todo custo, são sensíveis demais. RP não é milagreiro pra consertar burrada, nem encanador pra limpar a merd* alheia. Embora as empresas pensem diferente.

Quer um exemplo recente do problema que o juju ruim pode causar? O Cocielo. A piada não foi sem maldade. Nem de longe. A intenção não foi racista? Quiçá. Entretanto, mostrou como o brasileiro faz associações preconceituosas. Como resultado, ele perdeu uma leva de contratos, e justamente. Mas eu não digo isso em defesa das marcas.

Pense comigo: essas empresas podem ter executivos de alto escalão racistas, quem sabe? Só que para o público você nunca vai querer associar a marca a um Cocielo pós-piada do Mbappé. É a regra mais básica da publicidade e propaganda. Mas Bruna, será que eles não sabiam dos tweets antigos?

Hold my beer. Eu tenho a explicação.

As marcas não erraram em olhar o passado dele. Na real eu duvido que isso não foi feito. Mas qual é o plano? Contrata o fulano por ter alcance de X milhões e estampa a cara dele em tudo... Se ele fizer ruim, você queima o fulano, jamais a marca. Não sabemos de nada, não compactuamos com esse tipo de visão, nossa filosofia é essa ou aquela. Nesse meio tem tudo, menos santo.

Quer outro exemplo ainda maior? O DCEU.

Você pode até gostar de Batman vs Superman e Liga da Justiça, e eu gosto desse. Mas ainda assim, qual é a primeira coisa que você lembra: os filmes ou as polêmicas? Isso virou uma marca tão forte do DCEU que os caras parecem incapazes de superar. E convenhamos, a Warner ignorou o potencial do juju ruim atraído. Decisões erradas, lembra da parte 1 do texto? Olha como elas ditam a vida e a morte das coisas.

Aí você imagina: Mulher Maravilha pertence a esse universo, e é o total oposto. Seguiram a receita certa, isso até impulsionou a carreira da Gal Gadot. Aquaman corre por fora, e eu tô torcendo legal pra que seja um bom filme. Eu adoro mitologia marinha, e a dedicação dos envolvidos é real oficial. Fora que o diretor James Wan tem ideia do que faz.

A gestão inteligente da Marvel Studios

Difícil ficar indiferente ao quão carismático esse galerê é

Nem a Lucasfilm atual tem balha na agulha para fazer o que a Marvel Studios faz. A Casa das Ideias é um caso de estudo maravilhoso de como gerenciar um negócio, e engajar o público em torno da sua marca, mesmo se ele for casual. Assim, o estúdio pode demorar 10 anos até ter um filme de heroína, mas o que você vai lembrar? Da hype, a cena pós-créditos em Guerra Infinita, da Brie Larson, etc.

A Marvel sabe o potencial do juju ruim e dribla isso bem... Se o assunto não for Inumanos.

Com o modelo de negócio criado, a Marvel Studios entrou num lugar muito especial. Trabalhar com o seu próprio material você concentra os esforços. E os outros estúdios ignoram isso! Tipo a Warner. A ironia triste é que o estúdio não tem ótimos no currículo, bem famosos. Vou citar os que eu gosto:

1. O Guarda-Costas
2. Space Jam
3. Miss Simpatia 1 e 2
4. Menina de Ouro
5. Ela
6. No Limite do Amanhã
7. Gran Torino
8. O Último Samurai

Então dá pra ver que o estúdio saca o que faz. Só está com as ideias erradas, como querer copiar tudo que a Marvel faz, e dando o trabalho na mão de gente errada. E veja a doideira: a Marvel Studios poderia até cortar o projeto do filme solo da Viúva Negra... Mas não vai. Acho. Motivo?

Com Capitã Marvel cresceu a conversa por representação feminina no MCU. E o vai-não-vai com a Viúva Negra é de anos. Com isso o estúdio se pôs num estado onde mesmo com gente não gostando da Scarlett (e é bastante), não produzir esse filme tem o potencial de juju ruim que você já viu como funciona.

E o veredito é...?


Que não está sendo fácil. Eu adoraria que Rub & Tug não se chamasse assim (A), e fosse um projeto cozido com mais carinho (B). Charlize fez isso com Atômica. John Krasinski e Emily Blunt com Um Lugar Silencioso. Sandra Bullock fez isso com Oito Mulheres e um Segredo.

Cinema é diversão, e isso não pode mudar. Mas ele também é veículo pra chorar, tomar susto, vibrar, falar de coisas. Como equilibrar o sério com divertido? Não sei. Nem todo mundo precisa ser uma Ava Duvernay, super política. Ou um Michael Bay, super farofa. A sensibilidade do criativo precisa estar no máximo pra definir esse caminho/limite/direção.

A forma do pessoal consumir entretenimento, mudou. Não é mais tão fácil cativar a atenção, não dá pra esconder coisas debaixo do tapete tão fácil. Não dá pra dizer coisas e sair imune. Ano passado a temporada de verão foi a pior desde 2006. Então a indústria vai se adaptar... Querendo ou não. E o público vai ter que dançar a música da mudança.

Sobre Bruna

Entusiasta dos jogos de luta, indie e mobile. Mini Wikipedia de Scarlett Johansson Facts™. Publicitária cuja alma foi vendida aos antigos espíritos marketeiros do mal. Praticamente um Mumm-Ra.

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