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Total War: Rome 2 é o novo alvo do preconceito com mulheres em videogames


Lançado em 2013 pela Creative Assembly, o jogo Total War: Rome 2 soma mais de 21 mil reviews na Steam, que eram em maioria "extremamente positivas". Entretanto, nos últimos dias surgiram mais de 600 reviews "extremamente negativas". O que teria mudado num jogo de cinco anos, e ainda no top 100 dos melhores da Steam? O preconceito com mulheres nos videogames.

A acusação é de que a mais nova atualização teria aumentado as chances de generais do jogo serem mulheres. O assunto é debatido, desde março, mas apenas em meados de agosto ganhou força, devido a um usuário da Steam.

Com nome de Erick, ele teria mostrado cinco de oito "generais disponíveis" como mulheres, seguida da (famosa) reclamação de "autenticidade histórica". No mesmo período surgiu o Patriarchy Mod, que reduz a presença feminina no jogo. Nos fóruns da Steam, um funcionário da empresa declarou que o jogo é "historicamente autêntico, não historicamente exato".

Só que a discussão estava longe do fim.

Outro usuário, Chaos Puppy, fez a mesma acusação. Segundo ele, mais de 50% dos generais seriam mulheres. Insatisfeito com a resposta "não gosta não compre o jogo" vinda da desenvolvedora (não foi bem isso, mas deixe estar), foi iniciado o bombardeamento de reviews:

(Clique para ampliar)

As notas da atualização não falam de generais mulheres. Na realidade, a única menção a mulheres é de que "Honorum cursus feminino concede atributos em níveis mais altos". 

O canal RepublicOfPlay vai além, e explica que a chance generais serem mulheres é de de 10 a 15%, exceto pela facção Kush, onde a chance é de 50%.


Indo mais além, o redditor AAABattery03 explicou o caso usando matemática. Em resumo, ele diz: "se 10 mil jogadores abrissem o jogo agora, e fizessem spawn de 8 generais do Egito, você esperaria que quatro deles tivessem o resultado de 5 generais mulheres, e 3 homens". Mas o texto segue:

Então considere que nós temos dezenas de milhares de jogadores ativos, alguns milhares que extremamente ativos, por isso podemos esperar centenas de milhares de ocorrências desse resultado. Então é muito provável que não seja um bug. Pode-se argumentar que a taxa de spawn deve ser ajustada para torná-la mais “precisa”, mas a coisa é que ela está saindo como "em média", e aqueles que acham que ela é imprecisa ouvir para usar um mod como solução.

Assim, muitos usuários consideraram a resposta de "usar um mod ou deixar de jogar o jogo" como "inaceitável" e "desnecessariamente agressiva".

"As pessoas não podem pedir reembolso de um jogo de cinco anos, e você está dizendo para elas usarem mods ou pararem de jogar o jogo se não gostam da mudança feita sem aviso", diz o vídeo do RepublicOfPlay. Ele ainda compara a presença feminina em Battlefield 5: "É ofensivo para aqueles que não dão a mínima para o problema feminino, pois também desvaloriza suas opiniões".

Ah, a liberdade de expressão


Eu estava preparando o texto como notícia. Decoração. Entretanto, ficou claro que não tinha como eu me intrometer. Então vamos lá abrir a porta na bicuda?

Se a alteração na taxa de spawn foi feita e não comunicada, está errado. Comunicação transparente é uma coisa importante, e eu valorizo isso como poucas coisas na vida. Entretanto, vamos admitir aqui, só eu e você, bem baixinho: isso não afeta em nada o andamento do jogo. 

Não é como Hearthstone, que há alguns meses criou polêmica por mudanças não comunicadas, mas isso estava realmente afetando o jogo. Pessoas estavam caindo de rank muito fácil, subindo mais do que deveriam, e as recompensas estavam desproporcionais. Aqui sim nós tivemos um problema real.

Se a não-comunicação da Creative Assemble no primeiro momento foi ruim, no segundo, a empresa acertou. A Pessoa que Vos Fala™ tem uma opinião ignorante e objetiva sobre o assunto: gosto de ver pessoas que reclamam sobre vitimismo em casos reais, se fazendo de vítimas por motivos bestas.

A indústria do entretenimento, no geral, está mudando. A presença feminina já existia, mas agora ela irá se fazer sentida ainda mais, tanto em qualidade quanto quantidade. Aos que estão comemorando, tal como eu tenho comemorado, vamos continuar e torcer por ainda mais mudanças. 

Ah! E a empresa emitiu um comunicado sobre o caso:


Aos que não estão gostando, e se sentem ofendidos pela "agenda das feminazis", a dica da CA é real. Por mais que a pedra fundamental do videogame seja a diversão, é impossível você tirá-los de temas sociais e até políticos. O jogo pode ser o seu universo particular, e ele é. Só que ao mesmo tempo, não é. Jogos são feitos para todas as pessoas que os compram, incluindo as mulheres.

(Chocante, eu sei)

Detroit: Become Human é um exemplo recente. Orwell, Papers, Please, The Last of Us 2, meso Super Mario Bros. pode render uma conversa do tipo. Seria Bowser o vilão? Ou é propaganda da Peach pra pintar ele como tal? É só uma teoria doida, mas uma muito interessante.

Ou então, fique com essa dica: viva debaixo de uma pedra. Assim você não será ofendido pela busca de igualdade de gênero, contra o sexismo, racismo e nenhuma dessas barbaridades horríveis.

Informações retiradas da PC Gamer

Sobre Bruna

Entusiasta dos jogos indie, mobile e de luta. Mini Wikipedia de Scarlett Johansson Facts™. Publicitária. Em terra de plagiador, quem tem conteúdo original é rei ou otário?

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