Lançado em 2016, somente em janeiro de 2017 que vimos "A Criada" (The Handamaid, Ah-ga-ssi; hangul: 아가씨) chegou a alguns cinemas brasileiros, mas sim, teve lançamento oficial por aqui e hoje em dia conseguimos assistir nas plataformas de streaming. Vamos falar sobre belo filme que atravessa diversos gêneros para contar uma história que envolve muitas traições e reviravoltas.



Sinopse

Coreia do Sul, anos 1930. Durante a ocupação japonesa, a jovem Sookee (Kim Tae-ri) é contratada para trabalhar para uma herdeira nipônica, Hideko (Kim Min-Hee), que leva uma vida isolada ao lado do tio autoritário. Só que Sookee guarda um segredo: ela e um vigarista planejam desposar a herdeira, roubar sua fortuna e trancafiá-la em um sanatório. Tudo corre bem com o plano, até que Sookee aos poucos começa a compreender as motivações de Hideko.


A inspiração

O filme "A Criada" foi baseado no livro "The Fingersmith" (Nas pontas dos dedos) de Sarah Waters lançado em 2002, e também inspirou uma série de três episódios de mesmo nome em 2005 pela BBC. Vemos história da herança visada e como o desenrolar da história é surpreendente.

Parte 1

A história de "A Criada" é dividida em três partes onde na primeira conhecemos os golpistas. Sookee é filha de uma ladra que morreu enforcada em seu primeiro vacilo após realizar mais de 1000 roubos e furtos sem rastros de desconfiança. Sookee herdou o talento da mãe e é bem ingênua além de analfabeta, tanto em sul-coreano quanto em japonês.

O responsável por armar todo o golpe na herdeira japonesa é o Conde Fujiwara (Ha Jung-Woo) um golpista muito bom na arte de falsificar pinturas e que arma o plano perfeito para se casa com Hideko (a herdeira) e tomar sua fortuna para si e viver a vida que sempre quis. 

Quando conhecemos Hideko vemos uma bela jovem medrosa e ingênua que cresceu com crenças limitadoras e aterrorizantes vindas de seu tio Kouzuki (Cho Jin-Woong) desde a morte da sua tia, que a criava desde a morte da sua mãe.

O desenvolvimento da primeira parte da história conhecemos melhor Fujiwara e Sookee e toda a execução do plano e ao chegarmos na reta final dessa parte, começamos a ter os plots vindo na cara e a possível sensação de ter se perdido durante a história, acabará morrendo com a sequência.

Parte 2

Quando começa a parte 2 da história somos surpreendidos ainda mais e começamos a entender o final da parte 1. Aqui o foco é em conhecermos mais sobre Hideko e ver que muitas das coisas que acreditamos dela, acabam caindo por terra e a repulsa pelo tio apenas segue crescendo.


Basicamente nessa parte do filme vemos toda a origem de Hideko e como nasceu o plano do Conde Fujiwara e como absurdamente todo o golpe é extremamente bem amarrado, por mais absurdo que as vezes ele pareça, com o desenvolvimento dessa parte tudo fica mais claro.

Obviamente vem muitos plot na cara e chegamos então a ...

Parte 3

É capaz que você chegue aqui muito perplexo com o enredo e em como a história foi tendo viradas, algumas absurdas, e como elas se encaixaram perfeitamente. Algo bom e difícil de se ver nos filmes. Como é de se esperar essa parte conta o desfecho da história.

O sentimento de não saber o que esperar nessa reta final é real e isso ajuda ainda mais com as revelações e acontecimentos. Há uma chance que você até imagine o rumo final devido os momentos de ligação entre os personagens para se entender melhor.

Um suspense com erotismo

Ok talvez eu deva confessar que o que me despertou interesse inicial em ver A Criada em 2017 foi sobre o desnecessário esse ecchi que tem na trama no qual as notícias vendiam forte sobre essa questão. Imagino que isso possa ter deixado o filme discreto nos cinemas, sendo que daria um belo de um stonks.

Pois o filme é bom independente do sexo que existe.

As cenas de sexo do filme não são gratuitas e reforçam o desenvolvimento dos envolvidos. Você entende isso de maneira mais clara quando seu momento "XV" sai da cabeça e volta a focar na história, e mais uma vez, até como algumas coisas se desenrolam nessa relação, tem plot para fazer você lembrar que faz sentido o rumo da pegação.

Elenco

Min-Hee Kim como Hideko
Kim-Tae Ri como a Criada Sookee
Ha Jung-Woo como Conde Fujiwara
Cho Jin-Woong como tio Kouzuki
Sori Moon como tia de Hideko
Direção de Park Chan-Wook

O elenco do filme tiveram professores de japonês para aumentar a proficiência no idioma, já que a história é uma mistura de Japão e Coréia com direito a atriz Min-Hee Kim sendo elogiada por jornalistas japoneses após a exibição em Cannes, devido a seu bom nível com o idioma japonês.

O título coreano "A-ga-ssi" foca em Hideko e significa "A Dama" e na internavionalização em inglês o título focou em Sookee, ficando "A Criada".