Quando muitos talvez pensaram que a 92ª edição do Oscar seria tediosa, o que se teve foi uma noite histórica. Nomes fortes confirmaram seu favoritismo, grandes discursos e gente bonita - tudo e todos estavam lá, vendo 'Parasita' fazer história. A produção sul-coreana recebeu o Careca Dourado™ de melhor filme, feito inédito para um filme de língua estrangeira. Além disso, tivemos vários momentos que deram brilho extra à noite, e a Pessoa que Vos Fala™ listou os cinco favoritos a seguir.
1) Laura Dern 

  • Prêmio: Melhor atriz coadjuvante por 'História de um Casamento'


Laura Dern ganhou a melhor das homenagens no Spirit Awards. Seu carisma e talento se refletiram em prêmios na temporada 2019-2020, terminando com o Oscar - e um discurso de agradecimento emocionante. Dern, que é filha dos atores Bruce Dern e Diane Ladd, dedicou o prêmio ao casal que marcou sua vida e carreira. "Alguns dizem nunca conheça seus heróis, mas se você for realmente sortudo, eles serão seus pais".

Fora do palco principal, a atriz deu um conselho certeiro para jovens diretoras que desejam entrar na indústria. E o conselho vale não só para elas, como para os meros mortais: ser fiel a quem você é, ficar de olho nas redes sociais para ser fiel à própria voz. Não focar tantos nos "ruídos", um problema (se não o maior), da vida hiper conectada.

2) Joaquin Phoenix



Joaquin Phoenix confirmou o favoritismo, e conquistou seu primeiro Oscar. A oposição é curiosa: de um lado, Arthur Fleck é caótico. Do outro, Phoenix é o total oposto. Seu discurso, tal como aconteceu no BAFTA, focou em problemas sociais, e os direitos dos animais. São temas importantes para as minorias, e sensíveis para as maiorias - afinal, por pouco o Oscar não repetiu o #OscarsSoWhite.

Phoenix ainda agradeceu a segunda chance que recebeu das pessoas, comentando que um dia já foi egoísta e cruel. "Acho que é quando nós estamos no nosso melhor, quando apoiamos uns aos outros, não quando cancelamos uns aos outros pelos erros do passado". Importante.

3) Taika Waititi

  • Prêmio: Melhor roteiro adaptado por 'Jojo Rabbit'


A surpresa da noite, Taika Waititi venceu o Oscar com o filme que conquistou o coração do mundo. 'Jojo Rabbit' adaptou o livro escrito por Christine Leunens, foi sensível, espirituoso e bem humorado ao falar de um tema tenso: o nazismo. Criticado no início por usar o humor para falar do nazismo, o diretor superou as críticas e fez o filme mandar sua mensagem. No discurso de agradecimento, ele dedicou o prêmio a "todas as crianças indígenas do mundo que querem fazer arte, dançar e escrever histórias".

Vale registrar: o diretor é Maori - povo indígena da Nova Zelândia. Com o feito, Waititi tornou-se o primeiro Maori a faturar um Oscar.

4) Renée Zellweger

  • Prêmio: Melhor atriz por 'Judy: Muito Além do Arco-Íris'


Renée Zellweger vive a volta por cima. Após a atuar em 'Cold Mountain', há quase 20 anos, a atriz começou a sumir das manchetes. Em 2010, ela entrou em hiato para dedicar um tempo a si mesma. O retorno aconteceu em 2014, mas as notícias focaram mais na sua aparência, do que o retorno em si. O resultado? Zellweger sumiu do radar novamente, não sem antes escrever um belo artigo criticando a postura da mídia, e o impacto negativo desse tipo de cobertura.

O retorno aos trabalhos aconteceria, mais uma vez, em 2016. Sua atuação em 'Judy' não deixou vez para concorrência em nenhuma premiação. Mais do que o prêmio por um bom trabalho, foi o prêmio pela sua resistência à mesquinhez da mídia.

5) Parasita

  • Prêmios: Melhor filme, Direção, Melhor roteiro original e Melhor filme internacional


Em tempos onde o cinema americano, mais do que nunca domina as salas de todo mundo, a Coreia do Sul vai na contramão. O forte incentivo à produção e exibição do cinema nacional fez história: 'Parasita' venceu em quatro categorias principais, incluindo a principal da principal. O diretor Boon Joon Ho cativou o público com seu jeito simples, porém focado em fazer um cinema sem fronteiras - e que as pessoas abracem a ideia de ir além das legendas.

Se 'Parasita' será a nova moda passageira, ao invés de um passo para mudança real, quem sabe. O que se sabe, é: o filme está levantando um debate inédito, histórico e maravilhoso. Não desvirtue, e não deixe que usem esse momento para outros fins além de exaltar o que Joon-Ho & cia fizeram. Que a fase seja eterna enquanto durar, pelo menos.