Temos conversado em off sobre resgatar o Comentando do limbo, pois é uma coluna a qual a gente quer explorar mais. Então hoje é o dia! E vamos falar de um assunto interessante: Nightwish. Cinco anos após Endless Forms Most Beautiful, a banda volta com o nono álbum de estúdio, Human. :II: Nature. O anúncio foi feito em janeiro deste ano, e desde então eu fiquei hmmm, e se eu pegasse esse negócio pra ouvir?

Para quem passou cinco anos fora, foi um retorno cheio da música. O segundo álbum do Nightwish com a vocalista Floor Jansen traz 17 faixas, divididas em dois CDs. O primeiro é o "normal", com nove faixas e praticamente 50 minutos. O segundo é a faixa "All the Works of Nature Which Adorn the World", dividida em oito partes que somam 31 minutos. Então senta que lá vem história.



É uma história complicada

O Nightwish com a Tarja fez muita coisa boa. Mas olhando a carreira solo dela, eu não sinto tanta falta

A minha introdução ao heavy metal foi através do Nightwish. E foi numa das piores fases possíveis, claro: pouco antes da demissão da Tarja Turunen. Demissão é coisa ruim por si só, mas a dela foi de uma ruindade especial. A banda publicou uma carta aberta no site oficial, "dispensando a cantora dos serviços". Você pode ler o texto original aqui. Foi um golpe difícil pra quem descobriu o gênero pela banda, e tinha acabado de se encantar por ela.

Tá ruim? Pois piora. Depois de um tempo, Anette Olzon foi anunciada como nova vocalista. Mulher de sorte e azar. A Anette é uma ótima vocalista, porém totalmente diferente do estilo da Tarja. Os fãs, que queriam um clone da deusa, nunca perdoaram a Anette pela voz diferente. Uma parte razoável a apoiou, feito eu. E depois de dois álbuns gravados, veio o auge: a demissão.

Anette Olzon foi demitida durante a turnê da América do Norte, enquanto estava internada com uma gastroenterite. Se a ideia era odiar a banda, mais do que antes, foi uma decisão genial de estúpida.

Bye bye, so long, farewell

Eu adoro o Dark Passion Play, mas nunca ouvi o Imaginaerum completo. É algo que eu pretendo fazer

Depois disso eu nunca mais quis saber de nada relacionado ao Nightwish. Criei uma raiva real. Não tinha como ouvir as músicas o desconforto de lembrar o que a Tarja e a Anette sofreram. Então eu fui desbravando outras bandas, o Within Temptation ficou muito melhor, e eu desapeguei de vez.

Um tempo depois, anunciaram a Floor como vocalista. E eu adoro ela, a Floor canta dois caminhões de 24 rodas de demais. Mas o custo disso foi o fim do ReVamp, um projeto que eu adorava. A Floor então ficou famosa por dar respostas bem atravessadas nas redes sociais. O pessoal ficou put* por toda vida, e com razão. Foi o meu luto musical. Não dava mais alegria ouvir a Floor depois dessas coisas.

Agora elas tão em outra

Petição para tombar a carreira solo da Tarja e o The Dark Element da Anette como patrimônios da UNESCO

Com os anos, a Tarja superou a demissão e construiu uma ótima carreira solo. A mulher tem apelido de deusa com justiça: é muito talento, simpatia e brilho pra uma pessoa só. Eu adoro a Tarja. Sigo a carreira solo desde o "My Winter Storm" e assim vamos.

A recuperação da Anette foi mais difícil. Era claro que ficou um trauma, mas ainda assim ela chegou lançar o "Shine", álbum solo pelo que eu adoro. Por um tempo ela manteve um blog bem bacana, e se formou como enfermeira, seu emprego atual. Em 2017 veio o The Dark Element, um projeto que é excelente. Este ano saiu o Allen/Olzon, "nova versão" do Allen/Lande. Eu ainda não ouvi o álbum, mas ver a Anette superar o trauma, valeu muito.

O momento do HMMM

The Dark Element: coisa mais linda dessa vida

Foi uma ironia enorme o Nightwish anunciar o novo álbum justo para 2020. Anos depois, eu tô com outra forma de pensar e encarar a vida. O que a banda fez vai ser errado para sempre, não importa o quanto os fãs cegos tentem defender. Entretanto, dói menos porque Tarja e Anette claramente não são mais reféns disso. Ela superaram a fase ruim, estão vivendo no presente. Então por que eu não posso ir na mesma onda?

Daí o Human II Nature saiu em 10 de abril, e eu dei um confere honesto. Virou meu meme que dói admitir, mas o álbum ficou realmente bom e eu gostei bastante. As músicas ainda toda papagaiada sinfônica pseudo folk do Tuomas, que se acha o Mozzart da Disney. Apesar disso, o equilíbrio entre o peso e o orquestral me lembra o Dark Passion Play, um álbum que eu gosto bastante. Até a Floor saiu da casinha e cantou mais, do jeito que o povo gosta.

Fazendo as pazes (ou quase isso)

Não é dizer que virei fã do Nightwish de novo. Mas dessa vez eles tão perdoados, o álbum novo me convenceu

O cancelamento é uma das maiores babaquices da era moderna, mas no caso do Nightwish acabou me fazendo bem. Os anos sem contato com a banda me deixaram amadurecer, porque parece que os fãs de banda de metal sinfônico são desajustados, sabe? Eles defendem qualquer porcaria que a banda faça. Agora eu separo melhor as situações, aquieto a picuinha e consigo curti o álbum novo.

Honestamente? Eu nunca achei que chegaria esse dia, mas taí: "nunca" é muito tempo. E eu tô numa fase de explorar o que eu não pude, ou fazer as pazes com o que eu acho que é finalmente a hora.

Os dois CDs são bons, mas eu gostei mais do primeiro. Todas as músicas são boas, até "Harvest", que foi zoada por causa do Troy. "Music" e Shoemaker" tem um punch super empolgante por causa da combinação Floor + orquestração + banda. "Noise" é a música tãtãnãnã padrão do Nightwish, tipo "Bye Bye Beautiful" e "Storytime".

A faixa que eu gostei mesmo mesmo foi "How's The Heart?". Achei engraçado, isso. É uma música mais simples, com uma ótima levada do baixo. Enquanto as outras músicas tem punch, essa aqui tem um feel bem bacana, a Floor brilha na hora de soltar a voz. E eu admito: as vozes acappella no fim me pegaram pelo calcanhar, eu adorei.

Confere aí, tá valendo a pena. Afinal, eu não dou dica musical furada... Mesmo sendo Nightwish.