Quais são as consequências da corrupção para a sociedade brasileira? A resposta é a vereda do livro “Kerata - O Colecionador de Mentes”, de Juliana R. S. Duarte. A obra, segunda da autora cearense, traz um magnata da tecnologia revestido de justiceiro, em um cenário pós-moderno à la Black Mirror com toques medievais, que utiliza a inteligência artificial para torturar e arrancar - literalmente - as confissões de políticos corruptos do fictício país Badernil.

E sua jornada sedenta por justiça é retratada pela escritora de forma Naturalista, numa narrativa sem receio de falar e expor o real humano, assim como a verdade age quando se faz presente. “É uma inversão de papéis onde os socialmente mais fortes são colocados em uma situação de vulnerabilidade, na qual seus segredos mais obscuros são expostos aos quatro cantos do país”, pontua a autora.

E a cargo do interrogatório e sentença está um software personificado pela voz, ora infantil e ora vilanesca, de uma torturadora tecnológica que detecta as mentiras dos acusados por leitura do corpo do acusado de acordo com suas microexpressões faciais, batidas cardíacas e atividade cerebral.

O start para o autor dos crimes fazer justiça com as próprias mãos tem uma motivação bem conhecida em nossas rodas de conversa: a impunidade que o poder e o dinheiro dá aos personagens da obra anterior, “Kerata - O Colecionador de Cérebros”.

Embebedada nas obras de Lima Barreto, em especial por “Os Bruzundangas”, Juliana R. S. Duarte, se inspira em seu humor afiado para transcrever o coro da insatisfação popular e criticar as dinâmicas políticas de Badernil - um país tão-tão distante daqui. “O Kerata é uma crítica social vestida de ficção. Desde o primeiro livro me propus a criticar a sociedade e sua cultura e consequentemente todas as patologias por ambas geradas no indivíduo”, pontua a escritora.

Sobre a autora


A publicitária Juliana R. S. Duarte é poetisa, compositora, aspirante a violinista - para o terror ou deleite de seus vizinhos. Amante da leitura como ferramenta de transformação social, participa de projetos de produção literária em escolas públicas das periferias do país, além de liderar o Namū, grupo de apoio a mulheres vítimas da violência sexual.


Via LaPresse Comunicação