Faz um tempo que a gente não passeia pelos Bastidores da Ansiedade. Bom, hoje é dia de voltar na sola da bota, na palma da bota. Eu tenho andado irritada, com a ansiedade a mil, e incomodada de um jeito que não tá superando o limite da minha saúde mental porque eu sou ligada. Mesmo que me tire do sério (e tira), no fim do dia eu não perco minha sanidade pra coisa/gente sem noção.

O negócio é o seguinte

Eu vou opinar sobre o que quiser, se eu quiser. Não me venha com "intimação" a falar sobre o que eu não sei, não me sinto confortável, ou não quero falar sobre. Por mais que a gente esteja no século 21, tá acontecendo uma dificuldade básica de entender esse conceito. Ele é estranho, eu sei. Isso de "tem que" é uma das piores coisas pra gente que tem ansiedade.

Saber sobre tudo, ter opinião sobre tudo, falar de tudo. Se a pessoa quiser, é direito dela. Se ela não quiser, olha que loucura? É direito dela. Com uma forcinha do Google a gente acha a Constituição Federal, e dois pontos do Artigo 5º dos Direitos e Garantias Fundamentais são interessantes.

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.

Ou seja, a manifestação de pensamento é livre. Não é obrigatória;

II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.

E até onde eu sei, opinião de influenciador, youtuber, blogueiro e tuiteiro não consta na lei.

Uma hipocrisia interessante

A gente adora criticar que a TV faz lavagem cerebral nas pessoas. Daí a gente desliga a Plim Plim e abre o Youtube, Twitter pra ver um monte de gente dizendo o que fazer e pensar. Afinal, o influencer tem a melhor das intenções sempre, né? Isso mexe com a minha ansiedade de uma forma... Porque tá claro que não tem nada de diferente com o que acontece na TV. E as pessoas batem no peito pra dizer que não estão sendo manipuladas. Imagina se estivessem.

Por que isso nunca muda?

Porque o ser humano é hipócrita. Cada um é a favor de opinião, se ela for igual a sua. Ninguém quer clarear as ideias de ninguém: as pessoas querem aliados para suas causas. Eu sempre encarei assim: se uma pessoa pensar igual a mim, legal. Se não pensar, fica o respeito e segue a vida.

Nunca gostei de pensar com as ideias dos outros. Eu até olho umas coisas que a www fala aqui e ali, mas todo dia bate um arrependimento gigantesco quando eu faço isso. Não vale a pena, não dá XP.

Sendo o advogado do diabo

Se você deixa um youtuber ditar suas escolhas e opiniões, a culpa não é dele. É sua. 

Um assunto que tá me rendendo o terceiro fio de cabelo branco (eu tenho dois), é política. E bate bocas absurdos sobre política - embora seja redundância. Quem muito fica martelando uma opinião, seja qual for, é por que realmente pensa isso? Ou é para surfar na onda do momento? A gente que se forma em publicidade, fica meio paranoico com essas coisas.

Tem gente que faz conteúdo bacana, sim. Mas infelizmente elas se perdem nesse mar de barulho.

Eu tô maluca?

Se eu fosse influenciadora, eu seria a pior.

"Estes são os lados A e B da história. Tire as suas conclusões e opiniões. Eu não tenho nada a ver com isso, não sou a sua mãe. Sendo que nem ela você respeita.

Um choque

Influenciadores e criadores de conteúdo praticamente viraram as mães do brasileirinho moderno. O que torna eles diferentes de você e de mim? Ter uma câmera? Isso eu tenho. Um site? Isso eu tenho. Um canal no Youtube? Tá parado, mas isso eu também tenho. A gente tá dando poder demais a gente que não tem maturidade, ou pior: gente que sabe exatamente o que tá fazendo, e não é boa coisa.

O meu influenciador perfeito influenciaria a pensar, ponto. Sem paixões. Eu ainda não achei ele(a).

Respira (ou tenta)

Aí vem a galera que politiza tudo, até o entretenimento. Sim, entretenimento e política andam lado a lado. Mas tem hora, local e dose. Aqui a gente te informa, diverte, abre o coração, cada coisa na sua hora. Eu acho um terror quando um criador de conteúdo, uma pessoa, politiza tudo, e opina toda hora. Aí vem aquela resposta maravilhosa:

"Eu vou politizar sim".

Pois saiba que nesse momento, você dá ao público o direito sair fora do teu site, canal, Twitter se ele não concordar com isso.

Eu gosto de tentar ser dosada, não pra bancar de insentona: é porque eu sou assim mesmo. Eu amo mostrar o outro lado da questão e pensar com você. Se você curtir o que eu disse, lindo. Se discordar, é manter o respeito, e a gente continua a nadar. Se um assunto me incomoda, eu nem toco muito nele. Se me irrita, eu raramente falo sobre. Se eu falo, é num momento bem específico, tipo agora. Porque não tem nada que venha me causando mais ansiedade do que 2020 em si.

Nota de rodapé

O dia que eu pautar a minha opinião com base em influenciador, denuncia. Fui morta e substituída igual a Avril Lavigne.