Nesta quarta-feira (3) uma nova hashtag apareceu no Twitter: a #WhitelivesMatter. Mas ela pode ter causado alguma confusão nos usuários, após os fãs de k-pop assumirem o controle da tag com spams de fancams e memes dos seus artistas favoritos. A união afundou a mensagem supremacista branca que a tag original esperava espalhar. Ao invés disso, os k-popers usaram o espaço para promover seus grupos favoritos, divulgar mensagens e organizações anti-racismo.


Não foi a primeira vez

No último fim de semana, os fãs de k-pop fizeram spam de fancams e fotos no aplicativo "iWatch Dallas". Criado pelo departamento de polícia de Dallas, a Dallas PD alegou que estava usando o app para "monitorar atividade ilegal dos protestos". Os moradores da cidade, por sua vez, reclamaram que o app estava sendo usado para denunciar os protestantes.

O poder do k-pop

“A idéia de spammar essas hashtags supremacistas brancas veio da ideia spammar o aplicativo da polícia de Dallas”, explicou o usuário do Twitter “Lovely Doya”, fã de BTS e ONEUS. “Fizemos isso para proteger as pessoas no protesto, porque os fãs de K-pop concordam que eles não merecem ser presos por se reunir para lutar por justiça. Como esse plano foi bem-sucedido, percebemos que funcionaria com outras coisas, como enterrar tweets supremacistas brancos odiosos em suas próprias hashtags".

Para Sarah Jimenez, fã do BTS e Monsta X, a "invasão" foi uma maneira da comunidade de K-pop se unir para algo positivo, além de refutar estereótipos comuns sobre o fandom.

“As pessoas pensam que nós começamos essas 'festas' bobas nas tags porque os K-poppers querem visualizações para suas fan cams. Ou que nem sabemos do que se trata a tag [e que] queremos apenas as visualizações, mas é um equívoco", diz Jimenez. Em algumas ocasiões, quando não gostamos do motivo de uma tag, nos unimos e fazemos spam proposital para assumir o controle dela, como foi o caso dessa tag", explica.

Stans por uma boa causa

Os fãs de K-pop tornaram-se famosos pela defesa apaixonada de seus grupos favoritos. Agora, eles se unem para usar sua voz de outra forma, criando um exemplo mais empático da "cultura stan" online.

“Algumas contas grandes [do Twitter] deixaram de postar sobre seus idols, e começaram a postar sobre o movimento Black Lives Matter”, explica Jimenez. "As contas estão aproveitando suas plataformas já grandes para deixar links de artigos sobre onde podemos fazer doações, e criaram threads sobre o que podemos fazer para ajudar os manifestantes".

Além de serem stans de uma boa causa, os k-popers fizeram uma pequena-grande mudança. Sarah Jimenez explica que a comunidade passou a censurar os nomes dos idols nos tweets, assim eles não entram nos trending topics por acidente. "Queremos que a tag Black Lives Matter continue em primeiro lugar [em vez dos artistas]".


Todos contra o racismo

"Lovely Doya" se recusou a fornecer seu nome, mas se identifica como mexicana-americana. Para ela e milhares de fãs, a ideia de invadir a #WhiteLivesMatter veio naturalmente. Além de enterrar as mensagens racistas e a intenção original, os k-popers afundaram a #WhiteOutWednesday, outra tag com teor racista e supremacista branco.

“Embora os fãs de K-pop usem uma abordagem muito única e interessante, mostramos nosso apoio dessa maneira porque a mídia social é o nosso forte, e sabemos que temos a capacidade de fazer as coisas acontecerem com facilidade”, diz ela, acrescentando: “É importante para mostrar apoio porque o movimento BLM é sobre levar justiça a todas as vidas inocentes perdidas nas mãos de policiais racistas. É algo em que eu e muitos outros fãs de K-pop acreditamos, porque muitos de nós, inclusive eu, somos pessoas de cor. No final do dia, somos humanos antes de sermos fãs do K-pop".