Já parou pra pensar que daqui poucos dias entramos no último trimestre desse caos, digo, ano?

Enquanto essa glória não chega, vamos com a terceira semana do Setembro do Abraço - musical. Espero que onde você estiver, esteja se cuidando, respeitando todas as regras de distanciamento. A pandemia não vai sumir magicamente só porque a gente tá de saco cheio. Saúde pra você, sua família e amigos, de verdade. Por aqui, vamos ajudar com "Clayman" do In Flames, pois é uma das bandas que mudaram e salvaram a minha vida. Sem meme.

Descobrir o death metal melódico foi engraçado. Me causou choque, pois eu achava horrível as pessoas berrando do jeito que bandas como Insomnium, Soilwork ou Children of Bodom fazem. Hoje tem umas que eu até acho chato pela falta de peso (HEH). De longe, o In Flames foi a que mais me causou impacto emocional: eu acompanho a banda desde A Sense of Purpose, que é um álbum maravilhoso. Demorei a gostar do Clayman? Sim. Mas hoje ele é um dos meus plays favoritos dos caras.

Nesse álbum os suecos fizeram a transição definitiva dos temas astronômicos para os mais emotivos e existenciais, um dos grandes fortes da banda. O Clayman não tem a produção polida, mas é justo esse jeitinho "áspero", mas ainda assim ridículo de melodioso, que torna o álbum tão bom. A versão original tem 13 faixas - se você contar o cover perfeito de "World of Promises". E celebrando os 20 anos do clássico, o In Flames lançou esse ano a re-regravação do Clayman.

Spoiler: eu adorei.

A "Clayman" que a gente vai falar sobre, é a re-regravada. Da primeira vez que eu ouvi, fiquei bem EHHH, e sabia que o povo iria odiar. Dito e feito, até por que a internet gosta de alguma coisa? São duas versões muito boas da mesma música. Enquanto a nova tem uma bateria mais audível, na original é o baixo, por exemplo.

Sobre a letra, o vocalista Anders Fridén fez um comentário em entrevista que me chamou a atenção: 

Muito parecido com a capa de Da Vinci, é sobre tentar estar em todos os lugares ao mesmo tempo e moldar-se a diferentes situações. É a busca e a questão de coisas maiores, por que as coisas são do jeito que são. É sobre ter medo de coisas novas, mas tentar se apegar a coisas velhas que você sabe que no fundo estão desmoronando.

A paulada musical é maior no verso "To aim and miss, my supernatural art". Sabe quando você tenta 100%, e 101% sai errado? Quando o auto-controle de uma pessoa deixa você mal? São sentimentos comuns em especial para quem convive com a ansiedade igual a mim. É às vezes ter medo do novo e inesperado, e tentar se apegar ao velho conhecido, mas que não funciona. É incrível ter uma banda que 'converse' contigo desse jeito, nessas horas emocionais ruins.

Recado dado, vamos pra hora boa de soltar o play. O foco do texto é a re-regravação, mas eu vou deixar a original pra você fazer o tira-teima, e pescar melhor as diferenças. Vale a pena.



Letra

Your self control makes me feel alone
I've tried confidence, had it for breakfast today
I've lost the perfection, a mess without words
As the seasons change I'll continue to ignore
The image I project - me without me
The picture that I scanned is borrowed

After the education you stopped making sense to me
Seems to me that it's all the same, time and time again
Slowly, all that I believed in, turning into a lie
To aim and miss, my supernatural art
Spending to much time with myself
Trying to explan who I am

How come it's possible
I wish there was a way
I feel so invinsible
I'm the sculpture made of clay

I need someone to break the silence
before it all falls apart
I need something to cling onto
Before I break you in parts

So afraid of what you may think
And all the plastic people that surrounds me
I have to find the path to where it all begins
To teach the world my supernatural art