Halestorm se consagrou como uma das melhores bandas norte-americanas nos últimos 10 anos. Um som clássico e ao mesmo tempo moderno que é irresistível, produziu sucessos como "I Miss the Misery", "I Am the Fire" e "Black Vultures". A melhor parte disso? Lá em 2009, com o lançamento do álbum de estreia, a banda já começou mostrando toda essa qualidade.

"Halestorm" não traz uma sonoridade inédita, mas ainda assim é gostosa demais. Os integrantes são crianças dos anos 90 que cresceram com o som dos anos 70 e 80, e isso fica claro do início ao fim do álbum. São 11 faixas cheias de energia e grudentas, sem introduções ou finais desnecessários. Uma música emenda na outra, te empolga, sem pausa para respirar - exceto nas horas das baladas, claro. 

Os caras são bons

A performance dos músicos torna "Halestorm" perfeito de ouvir em qualquer hora do dia. O baterista Arejay Hale sabe o que faz na bateria, e empolgante é um adjetivo que serve para N aspectos que eu quero e vou falar sobre. O baixista Josh Smith não rouba a cena, mas ele também nem precisa. Já o guitarrista Joe Hottinger traz riffs animados e solos chamativos, sendo um bom Richie Sambora para a alma da festa.

Ela faz o brilho dela

Eu sempre digo que a Lzzy Hale tem o tipo de voz que arranca a sua alma, dá um nó de gravata e você agradece. Não é brincadeira. Poucas vozes carregam tanta harmonia, energia e sentimento ao máximo, 100% do tempo. Nas baladas, você ouve e balança o isqueiro imaginário. Nas faixas mais elétricas, você canta, pula e pensa como uma pessoa atinge notas humanamente impossíveis. 


O que você vai encontrar em "Halestorm"

O álbum se divide em momentos bem específicos. "It's Not You" e "I Get Off" são uma ótima dupla de abertura, já começam na correria. "Bet U Wish U Had Me Back", "I'm Not Your Angel" e "Better Sorry Than Safe" são baladas, mas seguem fórmulas diferentes. Parece que foram feitas para agradar o público mais mainstream? De certa forma. Mas se é agradar com alta qualidade, então perfeito.

"Familiar Taste of Poison" é um caso curioso. Embora seja outra balada, é um ar mais Evanescence-esco, nas linhas de "My Immortal". Eu levei um pouco de tempo até gostar dessa música, mas agora eu gosto bastante. Inclusive, o Halestorm produziu baladas muito boas em todos os álbuns.

"I Get off" é uma das minhas favoritas, mas o auge do álbum é "Innocence". Aqui a guitarra trabalha acima da média, produzindo riffs mais ativos que dão um tom dramático justo, se você espiar a letra. Essa faixa tem a performance da Lzzy a qual eu mais gosto: a nota que ela acerta aos 2mins15s é uma das melhores porradas musicais na carreira do Halestorm.

E aí?

"Halestorm" navega por diferentes situações na vida de Lzzy Hale. Embora não tão explícito quanto "Vicious", a banda não se esconde de cantar sobre amores passados, sexo e relações complicadas. E tudo de um jeito empoderador e orgulhoso, pois como a própria Lzzy já disse, "isso é parte de quem ela é". Então nada mais justo que vestir a camisa.

Mas Bruna, você gosta desse tipo de banda?

Normalmente não. Mas há alguns anos eu aprendi a gostar das bandas não só por me identificar com os temas cantados, mas pelo que elas têm a me oferecer. O Halestorm é um caso desses, e por ter essa consciência, a banda virou uma das minhas favoritas. É bem verdade que eu ignorei esse álbum por um tempo. Hoje eu arrisco dizer que "Halestorm" é o meu predileto.


Detalhe importante!

Se você ouvir a versão deluxe, disponível por exemplo no Spotify, tem mais três mimos. "Tell Me Where it Hurts" resgata a energia do início do álbum, e "Dirty Work" fecha de forma bem satisfatória. Entre elas, a melhor faixa bônus: "Conversation Over". A música é rápida, já começa com a guitarra martelando no seu ouvido. O refrão lembra bem o Bon Jovi da era "It's My Life".

O recado foi dado, e se você ficou aqui até agora, o meu muito obrigada. De verdade. Dividir contigo o review dessa beleza foi uma alegria enorme. Agora é aquilo: vamos soltar o play.