A Disney lançou nesta quarta-feira (17) o primeiro trailer de Cruella, o próximo live-action com data de lançamento prevista para 28 de maio. Com Emma Stone no papel principal, o pôster lançado um dia antes deixou os fãs histéricos e com altas expectativas. O que eu posso dizer? Essa expectativa foi mais do que atendida e superada. E sem trailer novo, daquela coisa que a gente esqueceu como é -filmes de cinema- a gente precisa conversar um pouco.


Primeiro, o trailer

Assim você não perde nada:



Agora, o contexto

Cruella se passa na Londres dos anos 70 em meio ao movimento punk rock - um marco musical e da cultura. Isso já confere ao filme uma coisa que eu adoro, e me conquista em qualquer filme de cara: o ar de época. Na trama, Estella (Emma Stone) é uma jovem inteligente e criativa que sonha fazer seu nome na moda. Junto com dois jovens ladrões, os três aprendem a se virar nas ruas de Londres.

Tudo muda quando Estella chama a atenção da Baronesa von Hellman, uma lenda da moda tão chique quanto ligada à alta costura. O relacionamento entre os envolvidos desencadeia uma série de revelações e eventos que irão fazer Estella abraçar o seu lado mais elegante, perverso e... Coringa da vida.


HMMM


É impossível ver o trailer de Cruella e não pensar no Coringa de Joakim Phoenix, ou na Arlequina da Magot Robbie. É como se os dois tivessem tido uma filha (HEH), e a Estella foi o resultado. A cor e a rebeldia do movimento punk, a proposta da personagem e a época na qual o filme se passa, é um combo perfeito. Emma Stone oferece uma vilã que à primeira vista é até cativante, insana e consciente disso, e irresistível. Foi amor a primeira vista, não vou negar.

Mas Bruna, é só um trailer! Eu sei, e isso é um problema.

Trailers costumam enganar bastante. Então é complicado criar expectativas. Por outro lado, Cruella já está deixando sonhar. Um filme da Disney onde a personagem principal fala "psicopata"? Eu sei que os live-actions da Casa do Rato seguem uma rota meio fora da curva das animações quando o assunto é tom, vide os dois Malévola, mas ainda assim. Foi diferente.


Uma delícia politicamente incorreta


A Disney, Disney, mostrar a Cruella fazendo ligação direta em um carro, para talvez roubar ele, são os pequenos detalhes que me deixam animada e receosa. O mundo é um lugar podre, eu sei. Mas tem hora que me enche o saco o mesmo ranço de filme meio termo, com heróis fazendo heroizices, e vilões que fazem vilõezices.

Ok, não precisa pegar tão pesado a ponto de fazer um filme depressivo. Mas caramba. Eu aguento que você me dê um filme com mais "sustância", que me desafie um pouco mais pra assistir. E que não seja o enlatado de ação e aventura padrão americano. Eu consigo curtir um filme, e diferenciar realidade da ficção, mas mesmo assim admirar o trabalho feito. Não precisa ser a minha babá.


A fórmula é batida, mas funciona


No Twitter alguém disse que queria ver mulheres que adoram moda, sendo apenas mulheres que adoram moda. Eu entendo o argumento, mas veja o ponto: a mulher queria tirar a pele de 101 cães por causa de um casaco. Ela não é apenas uma mulher que gosta de moda. Não tem porque ser tratada como tal*.

(*A menos que a Disney esteja escondendo algum mega plot twist que exploda as nossas cabeças por ser totalmente inesperado, o que sempre pode acontecer)

E tem outro ponto: a moda é um meio de gente excêntrica, o que dá base para própria personagem ser do jeito que é. Ou você nunca viu campanhas contra o uso de pele animal em roupas e sapatos? Não tem como desligar uma coisa da outra. Então o que nos impede de levar a Cruella para os cinemas?

Cruella é o mais novo episódio na safra das histórias de origem dos personagens... Diferentes. Apostar na versão mais jovem da vilã foi uma boa sacada. A gente já teve a Harleen Quinzell virando Arlequina, e o Arthur Flack virando Coringa. Não tem como desver. E isso não é um problema.

Mande esse filme que eu quero assistir. A curiosidade vai me matar até o final do mês.