Levante seu copo e vamos brindar: hoje tem mais review, e desses que eu gosto de trazer. O point-and-click é um dos meus gêneros de jogo favoritos, pois pede a sua concentração, o que faz você esquecer do mundo lá fora. Um ótimo exemplo é a série Rusty Lake, ou o game Papers, Please. Dito isso, não foi esforço decidir conhecer o Dude, Where is My Beer?, um dos finalistas do Nordic Game Discovery Contest (NGDC) que acontece em novembro deste ano. 


Trailer



Uma premissa inusitada

A gente se acostumou com jogos sobre deuses, futuros ao estilo Mad Max, galáxias e etc. Dude, Where is My Beer? conta a saga do nosso protagonista atrás de uma cerveja pilsen. Exato. Mas não vai ser tão simples assim, pois nesse mundo de "cervejas artesanais desnecessárias e hipsters arrogantes", as pessoas ou esqueceram, ou nem sabem o que é uma cerveja pilsen. O curioso é que pesquisando na internet, você vê que isso é uma dúvida/problema da vida real mesmo.


Simplicidade cativante

O poder do nosso herói cervejeiro é o humor. Dude, Where is My Beer? é bem humorado, e às vezes até quebra a quarta parede. Existe ainda uma mecânica que eu achei muito bem pensada: a barra de embriaguez. São três estados: sóbrio (sober), um pouco bêbado (a bit tipsy) e bêbado (tipsy). E esses estados influenciam as coisas que o personagem principal pode fazer. Quer um exemplo? Sóbrio ele não consegue conversar com pessoas "normais", apenas depois de beber.


Nostalgia e estilo

Eu gostei do gráfico, e é interessante como a interface lembra jogos dos anos 90. O problema são os controles: eles não são muito otimizados. Sempre que você quiser fazer alguma coisa - falar com alguém, abrir uma porta, pegar um item - vai ter que clicar na ação, e aí sim clicar em quem/o quê você quer interagir. A trilha sonora de David Børke é a melhor parte do jogo, passa aquela sensação boa de "cat vibes to".


Alguns problemas

Além da questão dos comandos para interagir, o jogo pode irritar um pouco mais do que os point and click geralmente irritam no grau de dificuldade para descobrir/achar/fazer coisas. Se você consegue algum progresso, algumas coisas mudam no jogo - só que isso não fica muito claro. 

Minha questão, entretanto, é com a história. Não ligo dela ser simples e até boba - você pode fazer um ótimo roteiro com coisas do dia-a-dia. O que incomoda eu vou tentar explicar com uma pergunta e uma resposta: o nosso herói finalmente consegue a cerveja pilsen? Digamos que o resultado pode deixar você frustrado(a), e se sentindo "roubado(a)".


E então?

Dude, Where is My Beer é um jogo carismático, e um esforço que vale a pena elogiar. Eu gostei da produção e toda atmosfera. É bem verdade que a jornada pode acabar divertindo mais que o final em si, o que deixa no ar se vale o investimento de R$ 44,99. Os jogos Amanita Design, um estúdio conhecido por jogos point and click de sucesso como Samorost e Botanicula, são mais em conta.

Mas se eu tenho a crítica também tenho a esperança, pois existe espaço para o jogo melhorar. Cabe aos desenvolvedores decidirem entre baixar o preço, ou introduzir mais conteúdo. Nos dois casos eu não reclamaria


Saiba mais

Dude, Where is My Beer?
Ano: 2021
Plataforma: PC (Steam)
Desenvolvedor: Arik Zurabian, Edo Brenes