Quando eu assisto um filme é porque escolhi ele cuidadosamente pra não desperdiçar meu tempo. Por isso sempre que tem review aqui no site, eu apresento prós e contras, mas no geral a impressão final é boa. Dessa vez eu fiz diferente: li uma crítica não muito boa sobre A Loucura que Nos Une, e decidi assistir mesmo assim. Vai que é só outra frescura da internet? No fim do dia aconteceu algo raro: temos um momento eu assisti pra você não ter que ver.


Primeiro, o trailer

Só pra gente manter o costume:



Não era pra ser uma bomba

A premissa do filme não é ruim. Ele apresenta a Viktoria, uma pesquisadora que investiga suicídios. Ela é convidada a ir a um hospital para tratar Jenny, uma paciente inteligente que resistiu a todas as formas de tratamento. Jenny tem pensamentos suicidas, e aos poucos as duas formam uma ligação: com isso, Viktoria começa a se abrir, e o filme mostra que nem tudo é como parece ser.


Existem boas ideias

A Loucura que Nos Une tem um começo intrigante e até interessante, ameaçando ser algo que vai desafiar o expectador. Ou melhor: ele desafia, mas não é do jeito que eu gosto. Tem sacadas bem inteligentes no uso dos planos, criando sensações mais ou menos claustrofóbicas - o que ajuda a reforçar o tema do filme. O uso de cores também é sagaz, usando a psicologia de cores.

Outro detalhe são os closes. Eles são expressivos, causam desconforto, ficam totalmente dentro da premissa. É uma característica do cinema não-americano ser mais cru, não é de agora que eu digo isso. Mais um bom ponto, e o melhor: a sonoplastia. A quase ausência de trilha sonora faz cada som do filme grudar fundo na sua cabeça. Faz sentido, e eu gostei disso.


Mas elas acabam aí

A ideia de criar um power play entre Viktoria e Jenny é digna de elogios. Uma é toda certinha, a outra é taxada de "maluca"; a escuridão de uma puxa a outra "pra dançar", fazendo a gente questionar quem é o são e o louco da história. Mas somando isso com o que eu disse antes, as boas ideias acabam aí.

A Loucura que Nos Une tem essas ideias, mas transmite elas de um jeito extremamente enfadonho. Mesmo. Várias vezes eu quis avançar o filme pra ver logo o que aconteceria na cena seguinte, e se um filme dá essa vontade, é mau sinal. A primeira parte é bacana, mas da metade em diante ele fica arrastado e chato, um ranço. Não empolga, até irrita. E não é problema do tema: O Chão Sob Meus Pés aborda os mesmos temas de maneira muito mais satisfatória.


... E então?

Raramente eu digo isso, mas não recomendo assistir A Loucura que Nos Une. O negócio tinha tudo pra ser bom, impactante. O que ele impacta é a sua paciência, risos.

São muitas imagens abstratas, coisas ditas pela metade... E eu tô acostumada com isso, vamos lembrar do bizarro Sob a Pele. A Loucura que Nos Une, entretanto, deixa você impaciente ao invés de pescar a sua curiosidade de verdade com o que vai acontecer/ser dito. Até porque eu nem sei se a direção sabia o que queria dizer. Quando sobem os créditos você fica (???) com o que assistiu, e aliviado que finalmente acabou.