Dos dias 3 a 9 de maio aconteceu a edição do Brazil's Independent Games Festival, o BIG Festival. Para a nona edição o evento precisou se adaptar à pandemia, adotando o formato online. E entre todas as novidades, um dos destaques foram os mais de 100 jogos indies liberados de graça para jogar. Isso me deu uma ideia, e eu selecionei três deles para conferir.


O critério

Vale dizer: o BIG Festival apresentou ótimos projetos como Nubarron: The Adventure of an Unlucky Gnome, Kaze and the Wild Masks e Ensō. Meu critério, entretanto, era encontrar bons jogos casuais, bons para relaxar e se divertir, e esquecer do mundo lá fora. De uns tempos para cá, por causa do stress da ansiedade, eu tenho criado muito interesse nesse gênero de jogo.

Os jogos

1) Dorfromantik


País: Alemanha
Estúdio: Toukana Interactive
Limitação da demo: 75 peças
Está em português? Sim (interface)
Preço: R$ 20,69

Desde quando eu joguei The Battle of Polytopia, torci para encontrar algo parecido em leveza, grau de diversão e desafio. E eu consegui. Nesse jogo você coloca azulejos hexagonais e vai montando uma paisagem que está sempre crescendo. É possível rodar o mapa, dar mais ou menos zoom, girar as peças, e mesmo se você estiver jogando no notebook (o meu caso), a experiência ainda é boa.

Sobre o desafio, vale destacar: é interessante como ele é bem equilibrado. Não pune você demais, e não é fácil em excesso. É a dose certinha pra você mergulhar no jogo, se concentrar para pegar os bônus da combinação de peças e criar uma paisagem bem bonita. Mas calma, pois melhora: as paisagens são geradas automaticamente. Ou seja: a rejogabilidade e a diversão são garantidos.


Rain on Your Parade


País: Estados Unidos
Estúdio: Unbound Creations LLC
Limitação da demo: prólogo
Está em português? Sim (interface e legendas)
Preço: R$ 28,99

A premissa é maravilhosa. Você assume o papel do Nublado, uma nuvem determinada a estragar o dia das pessoas. Isso cria um humor pastelão excelente, com ótimas referências onde uma vai pegar de surpresa quem conhece CS:GO. Tem também umas mecânicas muito divertidas onde você pode absorver outros elementos além de água: um exemplo é o barril de produtos químicos que se você absorver, causa dano de corrosão à objetos de metal.

Você pode mudar a cor do Nublado, desbloquear itens cosméticos (meu favorito foi o chapéu de cogumelo) e até desenhar um rosto nele. De um jeito "sem vergonha" é sensacional, relaxante e criativo. Ah! Importante: a experiência de jogo é melhor se você tiver um controle. Bruna, mas eu só tenho teclado e mouse. Eu imagino que ainda deva ser ok. Bruna, e no notebook? Você vai perder mobilidade, mas ainda vai conseguir se divertir.


Journey of the Broken Circle


País: Dinamarca
Estúdio: The Lovable Hat Cult
Limitação da demo: três primeiras fases
Está em português? Sim (interface e legendas)
Preço: R$ 20,69

O visual e a trilha sonora lembram os sucessos Alto's Oddsey/Adventure da Noodlecake Studios. É um tipo de jogo que faz você realmente respirar, o que é raro pra tanta jogatina focada em ação, lutas, intrigas, fim do mundo, vampiras gigantes (tá, essa parte eu perdoo). O roteiro é leve e agradável, e tem uma pegada existencial: o nosso protagonista, o Círculo, está incompleto ao melhor estilo Pacman. Ele então são rolando pelo mundo atrás da "peça faltante".

Nesse caminho ele conhece outros personagens, tem diferentes opções de resposta. Como eu me apeguei a ele rápido, me senti incapaz de responder "coisa errada". (rs) O Círculo tem uma inocência até fofa no desejo de se sentir completo, faz você querer ser amigo dele, sabe? É um jogo espirituoso demais, eu realmente adorei. Assim como os outros jogos, ele faz você se desligar do mundo lá fora, ser feliz e se divertir.