Hoje temos mais primeiras impressões! E vamos falar de música. No dia 13 de agosto o Sad Theory lançou Léxico Reflexivo Umbral, sétimo álbum de estúdio. Formada por Claudio “Guga” Rovel (vocal), Aly Fioren (guitarra), Daniel Franco (baixo) e Jeff Verdani (bateria), os curitibanos estão na estrada desde 1990. Será que o novo álbum é uma pedrada de qualidade? Eu vou tentar responder essa pergunta.

O que é

Com 11 faixas, Léxico Reflexivo Umbral é totalmente cantado em português, uma boa mudança para quem ouve na grande maioria do tempo música em inglês. Como singles foram lançadas as faixas “Canis Metallicus” e mais recentemente, “Ministrando a Pena”. As letras falam, resumidamente, sobre o tamanho avanço da tecnologia, a nossa dependência dela, e como seria o mundo com esses avanços, mas sem a humanidade. 

É legal porque 

A banda faz um death metal melódico objetivo, eficiente e sem floreios - até porque essa não é a ideia. O foco é ser pesado, sério, e embora não tenha os floreios de um Epica ou Ex Deo, os brasileiros não abrem mão de uma boa dose de melodia. Ela vai agradar -por exemplo- os fãs de death melódico sueco.

Eu curti os vocais, profundos e grunhidos porradeiros. É uma sonoridade que eu vejo clicando com os fãs de bandas como Arch Enemy, Omnium Gatherum, Kalmah e Kataklysm, por exemplo.

Não é tão legal porque

A temática das letras não é o tipo que me empolga muito. Vou deixar a explicação do baixista, daí eu contextualizo o meu ponto:

A interatividade humana atingiu níveis outrora inimagináveis, mas para isso precisou utilizar os avanços tecnológicos como interface, de forma integral, inexorável e irreversível. Tudo o que restou da nossa humanidade é convertido em bits e transmitido por ondas que, eventualmente, chegarão a diversos destinos.

Tais avanços, dos quais somos plenamente dependentes, caminhariam em qual direção, num mundo onde a humanidade morreu? É disso que tratamos no nosso sétimo álbum de estúdio. A série britânica Black Mirror, em muitos de seus episódios, mostra a inumanidade, por meio da tecnologia, atingindo diversos paroxismos, de diferentes formas.

Agora veja: esse conceito não é ruim, ele é bom. Mas é uma questão de preferência, e não é a minha pegada mais favorita. Eu prefiro letras mais introspectivas e reflexivas, tipo o In Flames pós-Clayman. Se você gosta dessa temática, ou gostou da explicação do baixista e curte death melódico, pode ouvir sem stress.

Nota de rodapé

Léxico Reflexivo Umbral foi uma experiência... Curiosa. Eu não ouvia metal brasileiro há muito tempo, quem dirá em português. Para quem gosta de melodeath e quer prestigiar o cenário nacional, é uma boa pedida.