Falar sobre metal progressivo é sempre esquisito pra mim. Eu nunca sei o que dizer, e quando eu digo, a sensação é de que eu falei besteira. Mas hoje vamos tentar! Afinal o Dream Theater lançou novo álbum na última sexta-feira (22), e A View from the Top of the World é bem interessante. Então a gente vai tentar entender esse álbum juntos.

A primeira coisa que você nota é como esse álbum é uma grande narrativa, o que seria 100% esperado da banda. Ele tem um lado dark, mas também é positivo. Tem energia, mas também é espirituoso. Num segundo ponto, a sonoridade é bem familiar com o que você ouve em outros álbuns, principalmente do Dream Theater (2013), em diante.

Isso é mais legal para os fãs, ou para quem já conhece um pouco o trabalho da banda. Vai tornar a experiência de ouvir o álbum familiar, pescando referências aqui e ali, como a vibe The Looking Glass de Transcending Time. Essa música é um dos pontos altos do álbum com a forte influência AOR e um humor leve, agradável. 

Sleeping Giant segue a mão oposta. Ela é mais pesada e tensa, com umas quebras de ritmo muito boas. O teclado é bem afiado, como em muitos momentos do álbum. Já a faixa título tem uma introdução que lembra Take the Time nos primeiros momentos. Ela também é a faixa mais longa do álbum, com 20 minutos de duração. Apesar disso o tempo passa até rápido.

O único ponto do álbum com o qual eu não concordo é a ordem dos singles. The Alien foi o primeiro, e Invisible Monster o segundo. Se tivesse sido o contrário teria sido mais interessante, pois Invisible Monster é mais easy listening.

Comentar sobre a eficiência dos músicos de uma banda com o Dream Theater é tipo dizer que a água é molhada. Então eu prefiro falar do vocalista James LaBrie. Não que ele ainda tenha algo a provar para alguém, porque não tem. Mas nesse álbum eu achei interessante como ele veste a camisa do "jeito anos 80 de cantar", ainda mais pelo tanto de sonoridades de órgão progressivo que o álbum todo tem.

Vale a pena ouvir A View from the Top of the World?

Vale, mas com ressalvas, porque o álbum tem no ponto forte o maior defeito.

Ele mostra que o Dream Theater tem um talento incrível em ver a vida por uma lente fantástica. A banda cria uma narrativa visual através da música sem muito esforço, e eu gosto demais disso. O álbum faz jus ao título, dá a sensação de sobrevoar o mundo e ver as partes boas e ruins ao mesmo tempo, o que reflete nos humores diferentes das músicas.

LaBrie & cia não seguem a maré, e justamente por causa disso eles acabam se limitando em si mesmos. Isso me deixa numa relação de amor e ódio com o Dream Theater não é de hoje, mas eu acostumei. Por isso eu sei que esperava mais do álbum, não deveria, mas acabei me contentando em curtir alguma coisa dele. Daqui uns dias vou esquecer da banda de novo, e daqui uns meses/semanas bate a vontade aleatória de ouvir umas músicas.

Quem é fã vai gostar do álbum? Vai. E quem gosta de som progressivo? É possível que sim. E um curioso casual? Não garanto 100%. E quem prefere um som mais acessível? Não. Mas se tiver paciência, recomendo ouvir o álbum completo pelo menos uma vez.

Solte o play no álbum completo


Faixas favoritas: Transcending Time, Awaken the Master