Depois de 2021, todo mundo com menos de 40 anos pode dizer que viveu para ouvir um álbum de inéditas do ABBA. No dia 5 de novembro os suecos lançaram o nono álbum de estúdio, Voyage, o primeiro desde The Visitors (1981). Então a pergunta que não quer calar, é: qual é o sentimento de viver para ver esse momento? A resposta com certeza vale um review.

As primeiras palavras que me vem na cabeça para descrever Voyage são leve, curioso e acessível. I Still Have Faith in You tem uma atmosfera quase natalina, do tipo que leva o ouvinte a imaginar um mundo mágico e colorido. E que refrão bonito! É chover no molhado dizer que as harmonias vocais do ABBA são 100% gostosas de ouvir.

Eu imagino que a ideia não tenha sido essa, mas é uma coincidência até engraçada que a faixa 3, Little Things, seja basicamente uma música de natal. Ela é divertida e até fofa, e com certeza vai para playlist de natal com Christmas Truce do Sabaton. Ela faz uma transição suave e bem executada para Don't Shut Me Down, o clássico dois-pra-lá-dois-pra-cá do ABBA. Música muito divertida.

Aí quando você segue ouvindo, vem Just a Notion. Essa música tem o jam famoso do ABBA, porém é confuso, porque ela é bem diferente do tom do começo do álbum. Confirmando o que eu li no Twitter, I Can be That Woman é realmente bonita, a típica música sofrida dos suecos. Não é a nova The Winner Takes it All, mas ainda é uma boa música. Keep an Eye on Dan tem uma energia Gimme Gimme Gimme-esca, e esse balanço dançante dá vontade de sorrir e ser feliz.

Vale a pena ouvir Voyage?


Sim. Mesmo que eu esperasse algo mais dançante no geral, parece rude exigir coisas do ABBA, um dos pilares da música pop. Não é como se o grupo tivesse algo a provar para alguém, né. Então é sobre isso, e tá tudo bem.

A sonoridade de Voyage é atemporal: o álbum poderia ter saído em 2021 ou há 40 anos, que o jeito ABBA de fazer popices estaria intatco. São músicas com uma simplicidade cativante, que não perdem o efeito sem tanto belting quanto no passado. O álbum tem bons crescendos, pausas dramáticas, harmonias impecáveis, e construções de melodia inteligentes.

O álbum passa rápido e você digere fácil. Pra mim isso é bom, porque normalmente eu ouço muita coisa porradeira e vivo uma vida corrida por demais. Então a aura calma e tranquila do Voyage é um carinho no coração.

Solte o play no álbum completo


Músicas favoritas: I Can Be That Woman, No Doubt About It, Keep an Eye on Dan