Novembro está chegando ao fim, mas dá tempo de outra crítica! Dessa vez vamos falar sobre um dos jogos que mais me impressionou esse ano: Backbone. Desenvolvido pela EggNut e publicado pela Raw Fury, Backbone é uma narrativa pós-noir do tipo point-and-click, com gráficos pixelados e escolhas que influenciam os fatos. 


Backbone se passa numa versão distópica da cidade de Vancouver, onde moram animais antropomórficos. Você conhece Howard Lotor, um guaxinim que trabalha como detetive. Ele não tem nada de especial ou heroico. Um dia Howard pega um caso para investigar, mas é algo bem normal. Uma série de circunstâncias infelizes, entretanto, transformam o normal num dos casos mais importantes da sua vida.

A primeira coisa que chama a atenção nesse jogo é a qualidade da pixel art. Backbone cria cenários bem vivos de acordo com a proposta: ambientes sujos, bonitos, suspeitos, noir, tudo com uma riqueza de detalhes que impressiona. A trilha sonora (música e efeitos) tornam a jogatina realmente imersiva. Eu adorei, por exemplo, os momentos de jazz maroto. Faltou pouco pra tocar Smooth Operator da Sade.

Jogos point-and-click pedem a sua atenção para explorar detalhes e segredos. Por ser um jogo bonito, a exploração em Backbone se torna bem satisfatória. Clique em tudo que der, fale com quem você puder e sempre preste atenção no que os personagens disserem. Ou coisas que o próprio Howard diz. E nas suas escolhas também.

Tudo que você fala e decide, influencia as ações do guaxinim, e cada consequência que ele enfrenta. É uma mecânica que somada ao point-and-click, arremessa você de cabeça dentro do jogo, faz esquecer do resto. O caminho da jogatina pode (e vai) mudar várias vezes, deixando ele imprevisível do jeito bom.

Você decide uma coisa daqui, responde outra dali, aí viu que respondeu besteira e isso influenciou algo na narrativa. Ou que abriu uma possibilidade pro Howard investigar, entrar numa área restrita, etc. São detalhes que fazem você investir o seu emocional no jogo, se simpatizar e temer pelo Howard. O elenco de personagens apresentados é quase que saído de uma série policial. O que pra mim é stonks máximos.

Vale a pena jogar Backbone?

Muito. De verdade.

O jogo aborda temas adultos como diferenças sociais e econômicas, violência, drogas e etc. Ele mexem com a cabeça dos personagens, criam perigos e alianças inesperadas. É um roteiro que não vem pra ser seu amigo, e talvez tenham alguns gatilhos. Mas eu gosto disso, de coisas com esse fator wow porradeiro. Se você gosta de se perder numa boa história, essa aqui está na medida.

(OBS: as escolhas permitem você ser bem babaca, mas a trama do game em si já é tão tensa que eu não tive coragem)

Se eu tenho alguma crítica? Tenho: a movimentação de objetos quando você explora um quadro ou uma gaveta. Não é tão prática, e por eu ter jogado no notebook, fica ainda mais chatinha. Fora isso, é um jogo cuja experiência é imperdível.


Backbone
Gênero: Cliques/inatividade/casual
Desenvolvedor: EggNut
Preço: R$ 47,49
Mais detalhes: Steam